Você sabia que o famoso donut americano tem um “avô” holandês?
Antes de se tornar a rosquinha com buraco que todos conhecemos, este doce era chamado de Oly Koek (literalmente “bolo de óleo”).
No século XVII, os colonos holandeses levaram com eles para Nova Amsterdã (atual Nova York) pequenas esferas de massa fritas em gordura, frequentemente enriquecidas com um recheio de passas, frutas cristalizadas e maçã maceradas em conhaque. Era um doce tão icônico que foi até celebrado na literatura, como em “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”.
Hoje, essa tradição ainda vive nos Países Baixos sob o nome de Oliebollen.
Embora o nome tenha mudado e a técnica tenha evoluído — passando de uma massa modelada à mão para uma massa líquida que é derramada no óleo quente com colheradas — a essência permanece a mesma: uma fritura de passas e maçã, quente, dourada e generosamente polvilhada com açúcar de confeiteiro, símbolo do Ano Novo holandês.
Minha receita prevê a preparação dos Oliebollen perfeitos, unindo o fascínio histórico dos antigos Oly Koeks à praticidade moderna e à leveza da fritadeira a ar, em uma versão sem glúten.
No vídeo, a receita clássica e a minha variante.
- Dificuldade: Fácil
- Tempo de descanso: 1 Hora
- Tempo de preparação: 5 Minutos
- Porções: 20Pezzi
- Métodos de cozimento: Fritura, Fritura a ar
- Culinária: Europeia
- Sazonalidade: Ano Novo, Todas as estações
Ingredientes
- 500 g farinha de arroz
- 7 g fermento biológico seco
- 2 colheres de sopa açúcar
- 1 ovo
- 250 ml leite (morno)
- 150 g passas
- 1 maçã (em cubos)
- 1 pitada sal
- a gosto açúcar de confeiteiro
Ferramentas
- 1 Fritadeira a ar
Passos
Massa: Misture farinha, fermento, açúcar e sal. Adicione o ovo e o leite morno aos poucos, mexendo com um batedor ou colher de pau até obter uma massa lisa e “pegajosa”
Incorpore as passas embebidas e bem escorridas e os cubos de maçã.
Fermentação: Cubra com um pano úmido e deixe descansar em um local morno por 60 minutos, até dobrar de tamanho.Fritadeira a ar: Forme bolinhas, pulverize generosamente com óleo e cozinhe a 180°C por cerca de 8-10 minutos, virando-as na metade do tempo.
Fritura clássica: Aqueça o óleo a 180°C. Use um boleador de sorvete (ou duas colheres) mergulhado no óleo quente para retirar bolinhas de massa e mergulhá-las diretamente no óleo. Frite por 4-6 minutos até ficarem bem douradas.Escorra e cubra com açúcar de confeiteiro.
A diferença entre Oly Koek e Oliebollen
Embora frequentemente os nomes sejam usados como sinônimos, existe uma sutil diferença ligada à evolução histórica deste doce:
Oly Koek (O Antecessor): a massa era mais firme e era trabalhada à mão para inserir no centro um recheio de frutas (frequentemente maçã e passas maceradas em conhaque). Este é o doce que os colonos holandeses exportaram para a América, dando origem ao moderno donut.
Oliebollen (A versão atual): hoje a receita holandesa prevê uma massa mais macia e hidratada. A fruta não é mais escondida no coração do doce, mas é misturada diretamente na massa antes de ser frita em colheradas.
Em resumo, o Oly Koek representa a tradição colonial e “literária”, enquanto os Oliebollen são a evolução macia e saborosa que encontramos hoje nas praças holandesas.
FAQ (Perguntas e Respostas)
Qual é a ligação entre os oly koek e a literatura?
No “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça” (1820), Washington Irving menciona os oly koeks durante a descrição do suntuoso banquete de outono na casa de Baltus Van Tassel.
O protagonista, Ichabod Crane, entra na sala e fica extasiado não só pela beleza de Katrina Van Tassel, mas principalmente pela mesa farta, descrita como um triunfo da culinária caseira holandesa.
Aqui está a famosa passagem original:
«There was the doughty doughnut, the tender oly koek, and the crisp and crumbling cruller…».
O contexto no conto:
A abundância: Eles são descritos como “macios” (tender) e fazem parte da “família dos bolos” que também inclui crullers (rosquinhas entrelaçadas) e doughnuts.
A identidade holandesa: Irving especifica que esses doces são segredos conhecidos apenas pelas “experientes donas de casa holandesas” do vale do Hudson.
O contraste: A citação serve para sublinhar o apetite insaciável de Ichabod, que vê no casamento com Katrina especialmente a possibilidade de herdar um patrimônio feito de terras férteis e mesas sempre cheias de iguarias como os oly koek.

