Inauguramos o especial #mangiandosanremo 2026 com uma dedicatória …
Viagem rumo às planícies de Myzeqe, na Albânia, para homenagear um artista que fez da sinceridade sua marca: Ermal Meta.
Sua canção, “Stella stellina”, é uma canção de ninar moderna, um cântico de proteção e esperança dedicado aos “filhos de todos”.
Para acompanhar essas notas tão profundas, não poderia escolher outro prato senão o símbolo de Fier, sua cidade natal: a Pulë me Rosnica (Frango com Rosnica).
A escolha não é por acaso.
A Rosnica é uma massa “ancestral”, preparada “esfregando” à mão farinha e ovos até obter pequenos grânulos irregulares.
Uma vez torrados na manteiga clarificada e mergulhados no caldo de frango, esses grãos dourados flutuam como miriades de pequenas estrelas em um universo âmbar.
É a transposição gastronômica do título da música: um “comfort food” que parece casa, tradições transmitidas e aquele abraço reconfortante que só os sabores da infância sabem dar.
O Rosnicë (ou Rosnica) é o pilar da cozinha camponesa albanesa. Nasce da arte de nobrear poucos ingredientes pobres — farinha, ovos e manteiga — transformando-os em uma preparação complexa e aromática.
O segredo da versão de Fier reside em dois passos fundamentais:
A Torrefação: A massa não é fervida em água, mas torrada na manteiga até liberar um perfume de avelã. É um processo que “tempera” o grão, assim como as experiências da vida temperam o talento de Ermal.
A Hortelã Seca: É o ingrediente “alma” do prato. Na Albânia, e especialmente em Myzeqe, a hortelã silvestre seca dá uma frescura balsâmica que equilibra perfeitamente a gordura do frango caipira e da manteiga.
- Dificuldade: Média
- Custo: Econômico
- Tempo de preparação: 10 Minutos
- Porções: 6 Pessoas
- Métodos de cozimento: Fogão, Fervura
- Culinária: Albanesa
- Sazonalidade: Todas as estações
Ingredientes
- 1.5 frango caipira (ou coxas de frango)
- 1 cenoura
- 1 cebola
- 1 talo aipo
- 3 l água
- a gosto pimenta em grãos
- 300 g farinha
- 2 ovos
- 80 g manteiga clarificada (ou manteiga)
- a gosto hortelã seca
- a gosto sal
Passos
O Caldo: Coloque o frango numa panela grande com a água fria, a cebola, a cenoura, o aipo e a pimenta em grãos. Leve a ferver, retire a espuma se necessário e cozinhe em fogo baixo por cerca de 45-60 minutos (o frango deve ficar bem macio). Quando estiver pronto, escorra o frango e coe o caldo, mantendo-o quente.
Preparação da Rosnica (Feita em casa): Numa tigela grande coloque a farinha. Bata levemente os ovos com uma pitada de sal e despeje-os em fio sobre a farinha. Comece a “esfregar” a farinha com as pontas dos dedos, formando grumos irregulares (semelhantes a migalhas de pão). Passe tudo por uma peneira de malha grossa para eliminar o excesso de farinha.
A Torrefação (O segredo de Fier): Numa frigideira ampla ou numa caçarola de barro, derreta a manteiga. Despeje a Rosnica (caseira ou a Fregula) e torre-a em fogo médio-baixo, mexendo sempre. Deve ficar com uma bela cor. Este passo é vital: a torrefação sela a massa e evita que vire uma cola no caldo.
O Cozimento final: Despeje gradualmente o caldo fervente sobre a massa torrada, como se fosse um risoto. Adicione a hortelã seca. Continue a verter caldo até que a Rosnica esteja cozida (apenas alguns segundos). A consistência final deve ser cremosa, quase como uma sopa espessa, mas com os grânulos bem distintos.
Serviço: Coloque os pedaços de frango sobre a Rosnica cremosa, acrescente uma última pitada de hortelã e sirva bem quente.
Você pode optar por preparar a massa à mão ou usar uma Fregula Sarda torrada (seu perfeito “gêmeo” mediterrâneo).
FAQ (Perguntas e Respostas)
Quem é Ermal Meta?
Nascido em Fier em 1981 e transferido para a Itália aos 13 anos, Ermal Meta é um dos cantautores mais intensos e cultos da cena contemporânea.
O vínculo entre Ermal e o Ariston nasceu em 2016, quando ele estreou entre as Nuove Proposte com a incisiva ‘Odio le favole’.
Polinstrumentista e autor refinado (assinou sucessos para os maiores nomes da música italiana), conquistou o grande público vencendo o Festival de Sanremo em 2018 em dupla com Fabrizio Moro.
Sua música é um equilíbrio perfeito entre melodia pop e letras profundas, frequentemente ligadas a temas sociais e humanos.
Com “Stella stellina“, Ermal retorna ao palco do Ariston trazendo consigo toda a força de suas raízes albanesas e a sensibilidade de quem sabe olhar o mundo com olhos de esperança.

