Um primeiro prato delicadíssimo e delicioso, este creme de cebola de Roscoff e alho negro, dois ingredientes especiais para conhecer melhor.
Meu filho Tommaso com Clemence me deram cebolas de Roscoff e alho negro, juntos preparamos este creme.
Vamos conhecer melhor a cebola de Roscoff.
A cebola rosa de Roscoff é uma cebola da região do Finistère, na Bretanha, entre as cidades de Roscoff, Saint Pol de Léon e Morlaix.
Essa região francesa é conhecida como a “cintura dourada” porque aí se cultivam produtos hortifrutícolas com grande biodiversidade. É daí que vem a cebola de Roscoff, redonda, rosa, doce, suculenta, ótima crua, e que cozinha mais rápido que outras cebolas.
Segundo algumas fontes históricas, a cebola de Roscoff foi introduzida na Bretanha em 1647, quando o frade Cirillo, um monge capuchinho, ao retornar de Lisboa, semeou as primeiras sementes nos jardins do seu convento.
Naquela época a cidade de Roscoff vivia do comércio marítimo de sal bretão e de linho. As cebolas eram um alimento essencial para prevenir o escorbuto dos marinheiros, justamente por serem ricas em vitamina C e sais minerais.
Em 1828 Henri Ollivier, um jovem agricultor de Roscoff, começou a vender suas cebolas além do Canal da Mancha. Daí começa a história dos « Johnnies », camponeses do Léon, que do século XIX ao XX atravessavam o Canal da Mancha todo verão para vender suas cebolas na Grã-Bretanha, porta a porta, primeiro a pé e depois de bicicleta. Às vezes carregavam até 100 kg de cebolas nas bicicletas. Por volta de 1920, 1500 Johnnies conseguiam vender até 9000 toneladas de cebolas rosas.
Assim essas maravilhosas cebolas se espalharam rapidamente; suas sementes foram selecionadas e trocadas por gerações de agricultores. DOC desde 1994 DOP, em 2009 AOC com o nome “Oignon de Roscoff”, e em 2013, a AOP, Denominação de Origem Protegida, que valoriza o cultivo dessas cebolas! As cebolas de Roscoff fazem parte também da Arca do Gosto do Slow Food.
Alho negro
A origem do alho é muito antiga; era usado como remédio e na alimentação desde os tempos dos egípcios, gregos e romanos.
O alho negro, porém, apareceu pela primeira vez na Coreia em 2004: os bulbos de alho foram fermentados com temperatura e umidade controladas; a partir daí o alho negro se difundiu pela América e Europa.
O alho negro é fermentado por 30 dias sem conservantes ou aditivos, e depois repousa por mais 45 dias, quando o alho fica preto. Ao oxidar os dentes escurecem, tornam-se macios e perdem o sabor pungente do alho fresco. O sabor do alho negro é delicado, com um toque de alcaçuz, bem mais doce e sem cheiro forte. Dizem que é um alho à prova de beijo.
Talvez surjam dúvidas ao ver um alho tão escuro, mas ele possui muitas propriedades benéficas para o organismo.
O alho negro é um superalimento porque é um potente antioxidante, um remédio natural para fortalecer as defesas e combater vírus e bactérias. Lembremos que todos os fermentados têm propriedades nutritivas maravilhosas.
A conservação do alho negro deve ser feita em lugares secos por até um ano. Depois, recomenda-se guardá-lo na geladeira.
Na Itália o alho negro é um produto D.O.P. protegido pelo Consorzio Produttori Aglio di Voghiera. Ottolenghi, chef que adoro, usa frequentemente alho negro em suas receitas.
Aqui então este Creme de cebola de Roscoff e alho negro: experimente e sinta o sabor. Você pode encontrar outros cremes muito delicados aqui:
- Dificuldade: Muito fácil
- Custo: Econômico
- Tempo de preparação: 10 Minutos
- Tempo de cozimento: 30 Minutos
- Porções: 4 pessoas
- Métodos de cozimento: Fogão
- Culinária: Italiana
- Sazonalidade: Outono, Inverno
Ingredientes
- 300 g abóbora delica (descascada)
- 200 g batata-doce (ou americana)
- 2 cebolas (Roscoff)
- 2 colheres azeite extravirgem
- a gosto pimenta
- a gosto sal marinho integral
- a gosto água
- 1 colher cebolinha
- 1 colher de chá miso
- 2 dentes alho (negro)
Utensílios
- 1 Mixer de imersão
- 1 Panela de ferro fundido esmaltada
Passos
Descasque e corte as cebolas de Roscoff em fatias. Em uma panela, coloque duas colheres de azeite, a cebola e refogue em fogo baixo por alguns minutos.
Descasque a abóbora e a batata-doce e corte em cubinhos pequenos. Coloque na panela. Acrescente sal, pimenta, 1 e meio dente de alho negro e a cebolinha picada.
Adicione água aos poucos e cozinhe por cerca de 30 minutos. Desligue o fogo, acrescente uma colher de chá de miso dissolvida em um pouco de água quente. Ajuste o tempero se necessário e sirva com uma fatia de alho negro e dois fios de cebolinha.
Dicas do Timo e Lenticchie
Você pode preparar o creme com outros legumes da estação. O alho negro pode ser usado amassado e batido com um pouco de água para dar liga numa massa com tomatinhos confit, ou numa cecina saborosa ou com berinjelas assadas.

