Impanada de lulas | massa tradicional ou integral

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Hoje vamos preparar as impanadas de lulas.
A impanada de lulas é um prato típico da tradição das aldeias marítimas de Ragusa: de Donnalucata [Scicli] a Marina di Ragusa, ligado aos períodos de Páscoa e Natal e protagonista da festa da lula.
Para a impanada a massa é estendida mais grossa do que para a scaccia, recheada e fechada em forma de torta salgada redonda com um acabamento detalhado chamado riefico.

A massa tradicional para scacce ragusane é à base de sêmola de trigo duro.
Você também pode prepará-la com sêmola integral de trigo duro.
Com ou sem fermento.

O recheio é à base de lulas, com variações ligadas às tradições familiares e à região.

Pode te interessar:

Empanada integral de lulas [receita ragusana] light e tradicional
  • Dificuldade: Média
  • Custo: Médio
  • Tempo de preparação: 40 Minutos
  • Tempo de cozimento: 40 Minutos
  • Porções: 4Pessoas
  • Métodos de cozimento: Forno elétrico
  • Culinária: Culinária Regional Italiana
  • Região: Sicília

Ingredientes

A massa integral é um pouco mais delicada para manusear e estender.
– se você está começando;
– se sovar à mão;
recomendo usar sêmola re-maciçada de trigo duro.

Você pode preparar a massa com ou sem fermento.

  • 500 g sêmola re-maciçada de trigo duro (ou integral)
  • 300 ml água (ligeiramente com gás)
  • 5 ml azeite extravirgem
  • 5 g sal
  • 1 pitada bicarbonato
  • 500 g sêmola re-maciçada de trigo duro (ou integral)
  • 300 ml água (ligeiramente com gás)
  • 1 g fermento biológico seco (Mastro Fornaio PANEANGELI)
  • 5 ml azeite extravirgem
  • 5 g sal
  • 1 kg lulas
  • 1 pitada alho em pó
  • 1/2 cebola (picada)
  • água (poucos ml)
  • 1 pitada sal
  • 1 pitada pimenta mista em grãos (com moedor)
  • q.b. salsinha picada
  • 1 fio azeite extravirgem
  • 40 g farinha de rosca (ou farinha de rosca integral)
  • 40 g queijo (ralado: grana ou parmesão)
  • 120 g ervilhas congeladas (branqueadas e bem escorridas)

Como alternativa ao grama de fermento biológico seco você pode usar:
– 3 g de fermento biológico fresco;
– 4 g de fermento de massa mãe desidratado.

A água com gás ajuda a deixar a massa mais leve e macia.
Você pode, no entanto, usar água comum sem problemas.

Utensílios sugeridos

Recomendo o uso de uma batedeira com gancho, embora seja possível trabalhar a massa à mão.

  • Faca
  • Tábua
  • Balança de cozinha digital
  • Batedeira com gancho de massa
  • Tigela para fermentação com tampa
  • Tábua para sovar
  • Rolo de massa
  • Assadeira 25×29 cm
  • Papel manteiga

Preparo

  • Na tigela da batedeira coloque:
    – a sêmola ou a sêmola integral;
    – uma pitada de bicarbonato;
    – o sal;
    – o azeite;
    e ligue a batedeira na velocidade 1.
    Continue a trabalhar na velocidade 2 por cerca de 10 minutos, adicionando aos poucos toda a água.
    A massa deve desgrudar das paredes da tigela e ficar elástica e firme.
    Transfira a massa para a bancada e trabalhe brevemente à mão formando um pãozinho.
    Polvilhe o fundo de uma tigela com um pouco de sêmola e coloque o pãozinho dentro.
    Feche a tigela com uma tampa ou envolvendo-a com filme plástico.
    Deixe a massa descansar em temperatura ambiente por cerca de uma hora.
    Depois desse tempo, sua massa sem fermento estará pronta para usar.

  • Aqueça a água: deve estar morna, não quente.
    Coloque a água morna em um copo, adicione e dissolva o fermento.
    Na tigela da batedeira coloque:
    – a sêmola ou a sêmola integral;
    – o azeite;
    e ligue a batedeira na velocidade 1.
    Continue a trabalhar na velocidade 2 por cerca de 10 minutos, adicionando aos poucos toda a água na qual você dissolveu o fermento e o sal na metade do processo [assim o sal não entra em contato direto com o fermento].
    A massa deve desgrudar das paredes da tigela e ficar elástica e firme.
    Transfira a massa para a bancada e trabalhe brevemente à mão formando um pãozinho.
    Polvilhe o fundo de uma tigela com um pouco de sêmola e coloque o pãozinho dentro.
    Feche a tigela com uma tampa ou envolvendo-a com filme plástico.
    Guarde em um local fresco e escuro.
    [veja foto 01]

    Depois de cerca de 4 horas do preparo
    Vire a massa sobre uma superfície de trabalho levemente enfarinhada com um pouco de sêmola.
    Trabalhe alguns minutos à mão e dê novamente a forma do pãozinho.
    Coloque novamente na tigela, vede-a e guarde no mesmo lugar.
    [veja foto 02]

    Depois de cerca de 24 horas do preparo
    * após 24 horas a massa deverá ter dobrado ou quase.
    A fermentação é influenciada por vários fatores como tipo de farinha, fermento e condições ambientais.
    Você pode usá-la antes, mas a fermentação longa torna a massa mais digerível.
    [veja foto 03]

  • Limpeza das lulas e extração da tinta
    No YouTube você encontra um vídeo bem claro sobre a limpeza das lulas que descreve em detalhe como recuperar a bolsa da tinta.

    Lave a lula em água corrente e seque com papel-toalha.
    Remova os olhos e o bico e retire o osso.
    Enxágue novamente.
    Proceda com a remoção das vísceras.
    Depois de retirar o osso, parte do manto [bolsa da lula] permanece aberto:
    – corte a pele que cobria o osso para abrir a cavidade interna que contém as vísceras;
    – extraia delicadamente as vísceras, se necessário ajude-se com uma faca pequena: ovos, leite de lula e a bolsa da tinta em um único bloco e depois, à parte, fígados e brânquias.
    Os ovos e os leites da lula são uma verdadeira iguaria.
    Também os fígados são comestíveis.
    As brânquias devem ser descartadas.
    Localize a bolsa da tinta e separe-a delicadamente inteira para não dispersar o conteúdo.
    As paredes são muito finas e se rompem facilmente, então tenha à mão um copinho ou uma tigelinha caso precise recuperar o conteúdo com urgência.
    Depois de remover as vísceras, verifique se não ficaram resíduos dentro do manto.
    Retire a pele da lula: considere que a pele é comestível, então não é uma operação necessária:
    – desprenda a pele puxando ao longo do manto de um lado e do outro.
    Lave cuidadosamente a bolsa por fora e por dentro, e os tentáculos em água corrente.
    Seque com papel-toalha.
    A lula está limpa e pronta para cozinhar.

    É possível conservar a tinta da lula?
    Para o procedimento detalhado passo a passo você pode ler o tutorial clicando no seguinte link: congelar a tinta da lula no molho de tomate | sem cristais e grumos.

  • Corte os corpos e tentáculos das lulas em pedaços.

    Em uma panela aqueça uma pitada de alho em pó e a cebola picada, refogue com poucos ml de água.
    Adicione as lulas na panela e doure por poucos minutos [3-5 minutos], apenas o suficiente para evaporar a água, mas sem cozinhar demais [a impanada vai ao forno].
    Tempere com uma pitada de sal e uma pitada de pimenta, adicione a salsinha picada e regue com um fio de azeite extravirgem.
    Deixe esfriar.
    Você pode manter o recheio simples ou enriquecê-lo conforme a tradição.

    Para a impanada de lulas segundo a tradição adicione:
    – farinha de rosca ou farinha de rosca integral;
    – queijo ralado;
    – ervilhas branqueadas e bem escorridas;
    e misture bem.

  • Sua massa para scacce ragusane, tradicional ou integral, está pronta para ser usada na preparação das impanadas.
    Uma vez pronto o recheio:
    – vire a massa sobre uma superfície de trabalho levemente enfarinhada com um pouco de sêmola;
    – trabalhe alguns minutos à mão para devolver elasticidade e molde novamente em forma de pãozinho.

    Massa integral para scacce ragusanas
  • Você pode prosseguir com a abertura e o recheio das impanadas.

  • Para cada impanada são necessários 2 pãezinhos:
    – pãozinho de 120 g para a base – de diâmetro ligeiramente maior;
    – pãozinho de 70 g para a cobertura – de diâmetro ligeiramente menor;
    [agradeço a Giovannella, mãe da minha amiga Sara, pela dica sobre o peso dos pãezinhos].

    Forre uma assadeira com um papel manteiga.
    Abra cada pãozinho com o rolo, ajudando-se com um pouco de sêmola, até obter um disco com espessura de cerca de 3-4 mm [não muito fino, deve suportar o recheio].
    Se a massa tender a retrair, deixe descansar por 5 minutos e retome a abertura.
    É um vai e vem de: enfarinhar, abrir, enfarinhar, abrir, girar e assim por diante.
    * para uma forma regular recorte os discos ajudando-se com cortadores, pratos, tigelas ou tampas.

  • Distribua o recheio de lulas no disco maior [base], deixando as bordas livres.
    Cubra com o disco menor [cobertura].
    Sele bem as bordas pressionando com os dedos, para evitar vazamentos durante o cozimento.
    Dobre a borda sobre si mesma formando o característico cordão ou rieficu ou simplesmente feche como se fosse um calzone.
    Faça pequenos furos na impanada com um garfo em vários pontos.
    * truque da vovó: se você preparou impanadas com recheios diferentes, fure com o garfo formando as iniciais do recheio, por exemplo: L de lulas.

  • [imagens passo a passo válidas para qualquer tipo de recheio].

    Disponha a impanada na assadeira.

  • Ajusto o forno da seguinte forma:
    – temperatura 180°C;
    – modo ventilado.
    Pré-aqueça bem.
    Asse por cerca de 30-40 minutos até dourar e verifique o cozimento.
    * tempos e temperaturas podem variar dependendo do forno e do tamanho das impanadas.

    Se as impanadas começarem a dourar muito rápido:
    – cubra-as com folha de papel alumínio ou papel manteiga [molhado e torcido];
    – reduza a temperatura do forno em 10-20°C;
    e complete o cozimento.

    Para um aspecto menos rústico pincele a superfície das impanadas com um fio de azeite extravirgem.

  • Suas impanadas de lulas estão prontas.
    Recomendo aguardar que estejam mornas ou frias antes de cortá-las para que o caldo do cozimento firme e os sabores e a textura se assentem.
    Bom apetite!

    Empanada integral de lulas [receita ragusana] light e tradicional
  • As impanadas de lulas são um prato completo; acrescente sua porção de vegetais para compor um refeição equilibrada ou prato único que ajuda a manter a glicemia estável.

  • – impanada de enguia ou moreia;
    – impanada de bacalhau;
    – impanada de peixe palombo.

Conservação, dicas e variações

Conservação
Quando se preparam as scacce ragusane, normalmente planeja-se vários recheios para levar à mesa vários tipos e sabores, portanto raramente sobra massa.
Se sobrar massa:
– você pode usá-la para preparar deliciosas tortilhas ou piadinas integrais;
– pode congelá-la envolvendo o pãozinho em filme plástico; na noite anterior ao uso transfira para a geladeira para descongelar e depois deixe algumas horas em temperatura ambiente antes de abri-la.

As impanadas também ficam ótimas no dia seguinte!
As impanadas conservam-se:
– em temperatura ambiente por 1 dia;
– na geladeira por 2-3 dias;
– no freezer por 2-3 meses.
Aqueça brevemente no forno para recuperar a crocância.

Dicas e variações
Flambeie as lulas com um copinho de vinho branco.
Adicione alcaparras picadas ao recheio para um sabor mais marcado.
Você pode preparar impanadas menores ou individuais reduzindo o tempo de cozimento.

Alternativa sem glúten
Para uma massa para scacce ragusane sem glúten você pode usar farinha para pão sem glúten.
A massa ficará obviamente menos elástica.

FAQ – Perguntas e Respostas

  • Massa para scacce ragusane | sêmola

    A massa tradicional para scacce ragusane é preparada com sêmola re-maciçada de trigo duro.
    A sêmola tem uma resposta glicêmica geralmente boa.
    A sêmola integral – mais rica em fibras – continua sendo a escolha recomendada para quem deseja uma massa de baixo índice glicêmico.
    Excelentes as sêmolas de grãos antigos: Maiorca, Perciasacchi, Russello, Senatore Cappelli, Tumminia.
    Para aprofundar o assunto você pode clicar no seguinte link: sêmola e farinhas índice glicêmico.

  • Posso usar outras farinhas?

    Lembre-se que a massa deve sempre ficar elástica e firme.
    Usando outras farinhas você pode não obter o resultado característico da scaccia ragusana.

  • Curiosidades dialetais e locais

    O termo scaccia deriva de “esmagar”, em referência à forma achatada.
    A impanada deriva das empanadas espanholas.
    A scaccia com legumes é conhecida de formas variadas de Ragusa a Modica e arredores como:
    – scaccia;
    – pastizzu se de forma redonda;
    – buccatieddu se em forma de meia-lua.

  • Tradições

    É tradição preparar a impanada de lulas por ocasião da festa de São José em Donnalucata e em Scicli e para a festa da lula em Donnalucata.
    Existem inúmeras variantes que preveem a adição de batatas ou arroz ou espaguete [desaconselhados em caso de hiperglicemia].

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azuccherozero

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