Pastiera Napolitana: o perfume da Páscoa!
Se existe uma sobremesa capaz de fazer o tempo parar, essa é a pastiera napolitana.
Não é só uma torta de massa quebrada e trigo; é um rito que começa dias antes da Páscoa, quando o ar na cozinha se enche do aroma inconfundível da flor de laranjeira e da canela.
Cada família tem seu segredo, sua “medida” perfeita, e hoje quero compartilhar com vocês a minha versão, cuidada em cada detalhe para garantir um resultado digno da melhor tradição partenopeia.
A verdadeira magia da pastiera acontece no recheio… o trigo, cozido lentamente no leite até virar um creme aveludado, se casa com a ricota (melhor se de ovelha ou de vaca bem fresca) e a doçura das frutas cristalizadas (para quem gosta).
Tem quem prefira bater uma parte do trigo para uma textura mais lisa, como eu fiz.
Sabia que a tradição quer que a pastiera tenha exatamente sete tiras de massa? Ou pelo menos devem ser 5 e, com certeza, ímpares.
Dizem que representam as três transversais e as quatro longitudinais das antigas ruas do centro histórico de Nápoles (os decumani).
Se você segue a lenda ou não, o segredo para uma pastiera linda é estender a massa fina e dispor as losangos com cuidado, criando aquele desenho típico em losangos que deixa entrever o coração cremoso durante o cozimento.
A pastiera tem uma regra de ouro: nunca se come no mesmo dia em que sai do forno… precisa descansar, pelo menos 24 a 48 horas.
É nesse tempo suspenso que os sabores se fundem, os perfumes se estabilizam e a massa absorve a umidade do recheio, virando um conjunto irresistível.
Prepare-a com antecedência, deixe num local fresco (mas não na geladeira) e leve à mesa: será o triunfo da sua Páscoa.
A lenda conta que a sereia Partenope recebeu de oferta sete ingredientes do povo para agradecê-la por seu canto; entre eles estavam ovos (símbolo de vida), trigo (riqueza da terra) e a água de flores de laranjeira, que representava o perfume da terra campana. Misturados, deram origem à primeira e mítica Pastiera.
Kcal 538 aproximadamente por pessoa
- Dificuldade: Fácil
- Custo: Médio
- Tempo de descanso: 30 Minutos
- Tempo de preparação: 30 Minutos
- Tempo de cozimento: 1 Hora 5 Minutos
- Porções: 8 Pessoas
- Métodos de cozimento: Cozimento lento, Forno elétrico
- Culinária: Culinária regional italiana
- Região: Campânia
- Sazonalidade: Páscoa
Ingredientes para fazer a Pastiera napolitana
Para o trigo cozido
- 250 g trigo cozido
- 200 ml leite integral
- 1 colher de chá canela em pó
- raspa de ½ limão
- 2 colheres de chá baunilha (líquida)
- 2 ovos (médios)
- 100 g açúcar
- 100 ml óleo de girassol (ou banha)
- 8 g fermento em pó para bolos
- 350 g farinha 00
- 1/2 fava baunilha (ou 1 colher de chá de baunilha líquida)
- 250 g ricota de vaca
- 250 g açúcar
- 3 ovos (pequenos)
- 20 ml essência millefiori (ou água de flor de laranjeira)
- 1 colher de chá baunilha (líquida)
- a gosto açúcar de confeiteiro
Utensílios
- 1 Forma de aro removível
Preparação da Pastiera napolitana
Numa panelinha, coloque o trigo com o leite, a canela e a raspa de limão ralada, misture bem e deixe cozinhar em fogo moderado por cerca de 15 minutos.
Se você gosta de sentir a textura do trigo, tudo bem; caso contrário, como eu fiz, você pode bater o trigo com um mixer até virar um creme.
Coloque a mistura obtida numa tigela para esfriar.
Prepare a massa quebrada batendo tudo com uma batedeira para bolos.
Coloque os ovos com o açúcar e bata em alta velocidade, junte o óleo, o fermento em pó e bata mais em velocidade baixa.
Adicione a farinha aos poucos e, quando a batedeira não conseguir mais trabalhar, despeje a mistura sobre a bancada e termine de sovar até obter uma bola homogênea.
Envolva a massa em filme plástico e deixe descansar na geladeira por meia hora.
Enquanto isso, prepare o recheio!
Pegue a mistura de trigo já fria, junte a ricota, depois o açúcar e mexa bem.
Agora acrescente as gemas na tigela onde está trabalhando a ricota e reserve as claras separadas.
Deixe as gemas serem bem absorvidas pela mistura de trigo e trabalhe tudo com cuidado.
Bata as claras em neve firme.
Agora, aos poucos, incorpore as claras ao composto de trigo, mexendo delicadamente com uma espátula, depois adicione a baunilha, a essência millefiori ou água de flor de laranjeira e continue mexendo com a espátula até que todos os ingredientes estejam bem misturados.
Há quem acrescente frutas cristalizadas picadas no recheio, mas isso é opcional!
Pegue uma forma de aro removível de 28 cm e forre com papel manteiga… eu usei uma menor, por isso a pastiera ficou muito alta.
Retire a massa da geladeira e abra uma folha não muito fina, posicione-a dentro da forma para que suba nas bordas cerca de 3 dedos.
Corte bem a massa para que o bordo fique da mesma altura em todo o diâmetro e reserve os restos de massa para fazer as tiras por cima.
Despeje o recheio dentro da massa, então abra a massa restante e faça 5 tiras para decorar a superfície.
Asse em forno estático preaquecido a 170 °C pelos primeiros 50 minutos, depois baixe para 160 °C e cozinhe por mais 15 minutos.
Ao terminar o cozimento, retire do forno e deixe esfriar na forma, depois desenforme e transfira para um prato de servir, polvilhe com açúcar de confeiteiro quando estiver fria e sirva.
Se não estiver com pressa, depois de fria, deixe a pastiera descansando até o dia seguinte para polvilhar o açúcar de confeiteiro e servir.
O descanso ajuda a intensificar os sabores.
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Prepare-a com antecedência, deixe num local fresco (mas não na geladeira) e leve à mesa: será o triunfo da sua Páscoa.

