Canistrelli Corsi com Anis Sem Glúten

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Os Canistrelli corsos são biscoitos secos e crocantes, tradicionalmente preparados sem manteiga e sem ovos e representam a essência mais autêntica da confeitaria corsa, um patrimônio que mergulha suas raízes nas antigas tradições agro-pastoris do Mediterrâneo.

Eram preparados para garantir aos pastores e marinheiros uma fonte de energia de longa conservação, graças à total ausência de gorduras animais perecíveis e ao uso sábio do vinho branco e do óleo.

O aroma dos sementes de anis, símbolo de simplicidade e frescor, confere a este biscoito seco uma assinatura olfativa inconfundível que evoca as paisagens da vegetação mediterrânea.

Tradicionalmente, na Córsega, utiliza-se um vinho branco seco local. A uva mais icônica e difundida para esta preparação é o Vermentinu (o Vermentino corso), que confere aos canistrelli seus típicos sabores florais e minerais. 

Historicamente nascidos como “biscoitos de viagem” para pastores e marinheiros, estes doces assumem um significado celebrativo fundamental durante o período de Carnaval, mas são consumidos o ano todo.

Os Canistrelli estão ligados à Quinta-feira Santa (período pascal), quando eram abençoados durante as procissões religiosas.

O termo Canestrello (ou Canistrellu em corso) representa um dos casos mais fascinantes de “migração gastronômica” no Mediterrâneo.

O nome deriva do latim canistrum, que indicava o cesto de vime onde estes doces eram deixados para esfriar após a cozedura ou levados como oferenda durante as procissões.

Os Canistrelli Corsi não devem ser confundidos com outros homônimos, como os sardos.

Esta é a minha versão sem glúten com uma mistura de farinha de arroz e milho.

  • Dificuldade: Média
  • Custo: Econômico
  • Tempo de preparação: 5 Minutos
  • Porções: 45 Peças
  • Métodos de cozimento: Forno, Forno elétrico
  • Culinária: Francesa
  • Sazonalidade: Páscoa, Carnaval

Ingredientes

  • 300 g farinha de arroz
  • 250 g farinha de milho
  • 50 g amido de batata sem glúten
  • 150 g açúcar (+ para acabamento)
  • 1 pacote fermento em pó para doces sem glúten
  • 2 colheres de sopa sementes de anis
  • 100 ml óleo de sementes
  • 100 g vinho branco (Vermentino corso ou sardo)

Etapas

  • A massa: Em uma tigela grande, misture a farinha com o açúcar, o fermento, o sal e as sementes de anis.


    Os líquidos: Faça uma cova no meio e despeje o óleo e o vinho branco. Comece a amassar com a mão até obter uma bola homogênea (não trabalhe muito, deve permanecer um pouco rústica).


    Abrindo a massa: Abra a massa sobre papel manteiga com uma espessura de cerca de 1,5 – 2 cm. Use o papel manteiga para ajudar.


    Corte: Com uma faca (ou roda cortadora) corte quadrados ou retângulos de cerca de 4-5 cm.


    Cozimento: Asse em forno estático já quente a 180ºC por cerca de 20-25 minutos. Devem estar bem dourados.

    Acabamento: Polvilhe a superfície com bastante açúcar granulado.

FAQ (Perguntas e Respostas)

  • Quais são os outros canistrelli ou canestrelli além dos corsos?



    1. Canestrelli de Carloforte (Sardenha)
    Doces típicos do Carnaval, são grandes rosquinhas macias aromatizadas com funcho. Sua particularidade é o duplo cozimento (fervura e forno) e a rica cobertura branca (sàgapa) com confeitos coloridos.

    2. Canestrelli Lígures (Gênova e Sassello)
    Biscoitos em forma de margarida com um buraco no meio, feitos com uma massa rica em manteiga e gemas cozidas (ovis mollis). São famosos por sua extrema friabilidade e a espessa camada de açúcar de confeiteiro.

    3. Canestrelli de Taggia (Ligúria)
    Ao contrário dos outros, estes são salgados. São semelhantes a taralli trançados, preparados com farinha, água e muito azeite de oliva taggiasca, ideais para acompanhar o aperitivo.

    4. Canestrelli Piemonteses (Biella e Novara)
    Wafer finíssimos e crocantes cozidos entre chapas de ferro quentes que imprimem um desenho de grade. Muitas vezes são compostos por dois wafers unidos por uma camada de chocolate e avelãs.

    5. Canestrelli de Dorgali (Sardenha)

    Confeitaria sarda de alta escola: discos de massa folhada finamente decorados à mão com glacê real. São doces cerimoniais servidos em casamentos e festas religiosas na Barbagia.

    6. Canestrelli (Moluscos)

    No campo da pesca, o termo indica o molusco Mimachlamys varia. Semelhante a uma pequena vieira, é um ingrediente nobre da cozinha veneziana, muitas vezes servido gratinado ou com massa.

    A raiz comum é o cesto (do grego kánastron).

    Forma: Muitas variantes lembram o entrelaçamento dos cestos ou têm bordas dentadas que remetem ao trançado do vime.

    Conservação: No passado, os biscoitos secos eram colocados em cestos de palha para permitir a circulação de ar e conservar por longo tempo.

    Afinidade Linguística: O corso (Canistrellu), o lígure (Canestrello) e o sardo (Canestreddu) compartilham a mesma matriz latina, testemunhando as trocas comerciais e culturais milenares entre estas regiões.

  • Existem também canestrelli corsi com avelãs em vez de anis?

    A versão com avelãs (canistrelli à la noisette) é uma das variantes mais amadas e difundidas, especialmente na região da Castagniccia, famosa por seus pomares.

    A tradição prevê adicionar picadas grosseiramente (não em farinha), de modo que seja possível sentir o pedaço crocante ao mastigar. Alguns deixam até algumas inteiras para o visual.

    Mas o anis ganha o título de versão “mais tradicional” por diversos motivos.

    A origem: Os canistrelli nasceram como alimento pobre de longa conservação. As sementes de anis eram baratas, fáceis de encontrar e atuavam como conservante natural, além de fornecer um frescor que “limpava” o paladar.

    A disseminação: Enquanto as avelãs são típicas de zonas específicas (como a Castagniccia), o anis é o ingrediente universal que se encontra em qualquer padaria da ilha, de Bastia a Ajaccio.

    O sabor “histórico”: O sabor seco do vinho branco combinado com o anis é considerado o perfil aromático original do biscoito corso.

    As avelãs, embora sejam muito antigas na culinária corsa, chegaram aos canistrelli como uma variante “rica” e saborosa. Hoje são populares quanto os de anis, mas se quiser preparar o biscoito que um pastor corso de cem anos atrás colocaria em sua sacola, a escolha correta é o anis.

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