Nougat de amendoim da Costa do Marfim

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Se você andar pelas ruas movimentadas de Abidjan, entre os aromas dos mercados e o calor da lagoa, há um sabor que agrada a todos: o do amendoim torrado. Mas não estamos falando de um simples snack. Falamos do Nougat da Costa do Marfim, um doce que é o ponto de encontro perfeito entre a confeitaria colonial francesa e a alma da África Ocidental.


Chamá-lo simplesmente de “torrone” seria redutivo.

Dependendo de onde você o encontra, ele muda de nome:
Nas elegantes confeitarias é o Nougat Tendre, um torrone branco, macio e perfumado com mel da savana.
Para as crianças e nos mercados populares torna-se o Bonbon Arachide, um mimo cotidiano.
Se você o procurar entre os vendedores ambulantes, ouvirá chamá-lo de Caramel, especialmente na sua versão mais crocante e âmbar.

Ou então Sira-Mani: em algumas regiões do norte (de influência Dioula), referem-se a doces à base de amendoim e açúcar com termos que remetem ao processamento artesanal da semente.


Diferente do torrone mediterrâneo, aqui as amêndoas dão lugar à rainha das culturas locais: o amendoim.

Frequentemente enriquecido com pasta de amendoim artesanal, este doce é tradicionalmente cortado em pequenos losangos brilhantes, prontos para serem saboreados como um bombom ou dados como símbolo de hospitalidade.

Eu combinei o nougat de amendoim com o Bissap, bebida à base de hibisco, a bebida refrescante africana por excelência, cuja receita você já encontra no blog sob o nome de:

  • Dificuldade: Difícil
  • Custo: Médio
  • Tempo de descanso: 12 Horas
  • Tempo de preparação: 10 Minutos
  • Porções: 6Pessoas
  • Métodos de cozimento: Sem cozimento
  • Culinária: Africana
  • Sazonalidade: Todas as estações

Ingredientes

  • 250 g amendoim torrado (inteiro ou grosseiramente picado)
  • 2 claras de ovo
  • 250 ml mel
  • 200 g açúcar
  • 1 pitada sal
  • 2 colheres pasta de amendoim * (ou manteiga de amendoim 100% amendoim)

Ferramentas

  • 1 Forma de bolo inglês 25 cm
  • 1 Termômetro de cozinha

Passos

  • Bata as claras: Comece batendo as claras em neve bem firme com uma pitada de sal.


    Preparação da calda: Em uma panela, aqueça o mel, o açúcar e a água. Para um torrone macio “à francesa” (comum na Costa do Marfim), a calda deve atingir cerca de 140°C. Se você não tiver um termômetro, deve ser bem densa, mas não ainda caramelo escuro.


    A união: Despeje a calda quente lentamente sobre as claras enquanto continua batendo na velocidade máxima. O calor cozinhará o ovo, e a mistura se tornará branca, brilhante e muito densa.


    Adição do amendoim: Incorpore o amendoim torrado e a pasta de amendoim (ou manteiga de amendoim) com uma espátula, trabalhando rapidamente antes que endureça.


    Descanso: Despeje tudo na forma de bolo inglês de 18 cm forrada com papel manteiga untado (pré-aqueça ligeiramente a forma no forno) e nivele bem. Deixe descansar em temperatura ambiente por pelo menos 12 horas em um local seco.

    Uma vez solidificado, corte em barras retangulares. Na Costa do Marfim, é comum embrulhar essas barras em papel transparente ou em alumínio fino.

A Pasta de amendoim da Costa do Marfim

Na Costa do Marfim, a pasta de amendoim (comumente chamada de pâte d’arachide) é a alma de muitas preparações.

Para o nougat, prepará-la de forma artesanal permite obter uma consistência muito mais rica em comparação com a manteiga de amendoim industrial, que geralmente contém óleos vegetais adicionados ou açúcares. 


Aqui está como preparar seguindo o método tradicional marfinense adaptado para a cozinha caseira:

O Método Tradicional Marfinense
O segredo da verdadeira pasta de amendoim africana está na torra profunda e no processamento que permite a liberação dos óleos naturais da semente. 


Seleção e Torra: Use amendoins crus com a pele. Torre em uma frigideira sem óleo (ou no forno a 180°C por cerca de 10 minutos) até ficarem bem dourados e a casca se soltar facilmente esfregando entre as mãos.


Limpeza: Remova todas as peles. Na Costa do Marfim, muitas vezes usa-se o vento ou sopra-se levemente enquanto as sementes são sacudidas em um cesto para que as cascas voem (técnica do winnowing).


Processamento (O Pilão vs Mixer): Tradicional: Usam-se grandes pilões de madeira. Os amendoins são esmagados até que o calor do atrito libere o óleo, transformando o pó primeiro em uma massa grumosa e depois em um creme denso.


Em casa: Você pode usar um mixer potente. Triture os amendoins torrados e ainda mornos. Inicialmente, obterá uma farinha, depois uma pasta densa. Continue batendo em intervalos (para não sobreaquecer o motor) até se tornar um creme fluido e brilhante.


Sem adições: O verdadeiro creme marfinense para o nougat não contém óleo adicionado nem açúcar; a cremosidade vem exclusivamente das gorduras naturais dos amendoins. 

FAQ (Perguntas e Respostas)

  • Qual é a história do nougat de amendoim na Costa do Marfim?

    A história do Nougat da Costa do Marfim é um fascinante exemplo de “metissage” (cruzamento) cultural entre a África Ocidental e a França.


    1. O encontro entre o Torrone de Montélimar e o Amendoim
    Durante o período colonial, os franceses trouxeram para a Costa do Marfim a receita do célebre Nougat de Montélimar (feito com mel, clara de ovo e amêndoas). No entanto, as amêndoas eram raras e caras. Os marfinenses começaram a substituí-las pelo “tesouro” local: o amendoim (chamado de cacahuète).

    2. Da mesa dos colonos ao mercado de rua
    Com o tempo, a receita dividiu-se em duas almas:
    O Nougat de elite: Aquele macio, preparado nas confeitarias das grandes cidades como Abidjan, que conserva o uso da clara de ovo e do mel da savana, muito aromático e escuro.
    O Nougat popular (o “Caramel”): Uma versão mais rápida e crocante, nascida nos mercados para resistir ao calor tropical sem derreter, vendida por ambulantes em pequenos sacos transparentes.

    3. O papel do amendoim na cultura Marfinense
    Na Costa do Marfim, o amendoim não é apenas um ingrediente, mas um símbolo de hospitalidade. Oferecer um pedacinho de nougat ou de amendoins torrados é um gesto comum de boas-vindas. O fato de este doce ter se tornado um “torrone” é o sinal da capacidade da cozinha marfinense de absorver influências externas e transformá-las em algo único, utilizando a pasta de amendoim para dar aquela profundidade de sabor que o torrone europeu não tem.

    Hoje, o nougat marfinense é o presente típico que quem viaja para o interior do país ou para o exterior leva consigo, representando o laço indissolúvel entre a terra (o amendoim) e a doçura da tradição.

  • Para uma variação vegana do nougat posso usar o xarope de bordo e a aquafaba?

    Substituir o mel por xarope de bordo é possível, mas mudará radicalmente a essência da receita, tornando-a menos “marfinense” e mais “norte-americana”.

    Aqui está o que você deve considerar para não errar na consistência:
    O sabor: O mel da savana usado na Costa do Marfim é intenso, floral e ligeiramente amargo. O xarope de bordo dará um sabor mais amadeirado e de caramelo.

    A temperatura (Fundamental): O xarope de bordo contém mais água que o mel. Para obter um torrone macio, você terá que fervê-lo junto com o açúcar até atingir 145°C (alguns graus a mais que com o mel) para garantir que o torrone “endureça” e não permaneça como um creme espalhável.

    A consistência: O mel ajuda a manter o torrone úmido devido à sua composição química. Com o xarope de bordo, seu Nougat pode tender a cristalizar mais rapidamente, tornando-se ligeiramente mais quebradiço ou granulado com o passar dos dias.

    Aqui está como modificar as quantidades para manter a estrutura correta:

    Aumente o açúcar: Use 250g de açúcar (em vez de 200g) para cada 250ml de xarope de bordo. O açúcar extra serve para dar “corpo” e estabilidade ao torrone.

    Elimine a água: Não adicione a colher de água prevista na receita original; o xarope de bordo já contém água suficiente para dissolver o açúcar.

    Ponto de cozimento: O xarope deve ferver com o açúcar até 145°C-148°C. Se você não atingir essa temperatura, o torrone não se solidificará na forma de bolo inglês.

    Uma clara de ovo tem cerca de 30-33g, substitua pela mesma quantidade de aquafaba, batendo-a.

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