Pizza no Ruoto Napolitana: a Receita Tradicional Sem Glúten

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A Pizza no Ruoto representa uma das expressões mais autênticas da panificação caseira do sul da Itália, em particular da Campânia e da Basilicata.

Ao contrário da pizza napolitana clássica, assada diretamente no chão do forno em temperaturas muito altas, esta variante deve seu nome e suas características peculiares ao utensílio usado para prepará‑la: o ruoto.

O que é o “Ruoto”?
O termo “ruoto” identifica uma assadeira circular, normalmente feita em alumínio ou aço (ferro blu), caracterizada por bordas inclinadas ou retas com cerca de 4 centímetros de altura.

Esse utensílio é um pilar da cozinha tradicional do Sul da Itália, usado não só na panificação como também na preparação de grandes clássicos da confeitaria, como a Pastiera e a Torta Caprese.

A sua conformação é pensada para proteger a massa durante a fermentação e o crescimento no forno, garantindo um cozimento uniforme.

Historicamente, a pizza no ruoto surgiu como uma preparação caseira ligada à ritualidade da panificação semanal.

Frequentemente era preparada aproveitando sobras da massa de pão, esticada em assadeiras bem untadas.

A técnica de cocção baseia‑se na condução térmica: o calor do forno aquece o metal da assadeira que, em contato com a gordura no fundo, inicia uma leve fritura da base da massa.

O resultado é uma pizza caracterizada por uma base crocante e tostada que sustenta um miolo alto, macio e alveolado.

O recheio tradicional leva tomates pelados esmagados à mão (usados crus), orégano, alho e azeite extravirgem. Eventuais laticínios são adicionados só no final da cocção.

Nesta receita eu desenvolvi uma versão sem glúten.

Esta técnica de cocção representa o elo de ligação com a:

  • Dificuldade: Fácil
  • Custo: Econômico
  • Tempo de descanso: 3 Horas 30 Minutos
  • Tempo de preparação: 10 Minutos
  • Tempo de cozimento: 13 Minutos
  • Métodos de cozimento: Forno, Forno elétrico
  • Culinária: Italiana
  • Sazonalidade: Todas as estações

Ingredientes

  • 350 g mistura de farinhas sem glúten
  • 320 ml água
  • 10 g fermento biológico fresco
  • 10 g sal (+ para temperar)
  • 20 g banha
  • 5 colheres azeite extravirgem (+ para temperar)
  • 600 g tomates pelados
  • a gosto orégano
  • a gosto muçarela para pizza

Utensílios

  • 1 Ruoto (assadeira) 30/32 cm

Passos

  • Massa: Dissolva o fermento na água morna. Adicione a mistura sem glúten e trabalhe até obter uma massa lisa e cremosa. Acrescente o sal e, por fim, a banha.


    Descanso na tigela: Cubra e deixe descansar por cerca de 30 minutos.


    Colocando na assadeira (ruoto): Unte abundantemente o ruoto (fundo e laterais). Transfira a massa e espalhe com as mãos untadas.


    Fermentação: Deixe crescer no ruoto coberto em um lugar morno (forno apagado com a luz acesa) por cerca de 2 horas e meia / 3 horas, até que a massa quase atinja a borda da forma.

    Pegue Tomates Pelados de boa qualidade.
    Esmague‑os grosseiramente com as mãos em uma tigela.
    Tempere apenas com sal e um fio de azeite. Não os cozinhe.
    Distribua o tomate cru sobre a massa fermentada, acrescente bastante orégano e, se quiser, algumas fatias de alho.

    Pré‑aquecimento: Ligue o forno na temperatura máxima (geralmente 250°C) pelo menos 30 minutos antes.
    Posição: Coloque a grade no nível mais baixo (diretamente no fundo do forno ou no primeiro trilho).
    Cozimento em duas fases: Fase 1: Leve o ruoto ao forno no fundo por 10‑12 minutos. Acrescente a muçarela.
    Fase 2: Mova o ruoto para a metade da altura por mais 3 minutos para completar o cozimento do tomate e do queijo.

FAQ (Perguntas e Respostas)

  • Qual é a diferença entre a Pozza no Ruoto napolitana e a daquela lucana?

    A diferença entre a Pizza no ruoto napolitana e aquela da tradição lucana (como a Pizza de Avigliano) é sutil mas fundamental, e diz respeito principalmente à consistência e ao espírito com que são preparadas:

    1. A Massa e a Farinha
    Napolitana: Usa‑se quase exclusivamente farinha de trigo macio (0 ou 00). O objetivo é obter uma pizza bem macia, tipo “nuvem”, com um borda pronunciada mesmo assada em forma.
    Lucana: Tradicionalmente usa‑se uma mistura que inclui sêmola de trigo duro ou farinhas de variedades antigas locais. Isso deixa o miolo mais amarelado, mais consistente e com um sabor mais marcado de “pão tostado”. É menos “elástica” e mais crocante ao mordê‑la.

    2. O Recheio
    Napolitana: Tende a reproduzir a pizza de pizzaria. Usa tomate cru (pelados esmagados) e quase sempre se adiciona laticínio (muçarela ou provola) perto do final do cozimento. É uma pizza “úmida”.
    Lucana: É muito mais parecida com a Tomato Pie americana ou com o Sfincione. O molho de tomate é frequentemente pré‑cozido num refogado de alho, azeite e pimenta. Acima de tudo, a versão original é sem muçarela. O sabor vem do tomate, do orégano e de muito azeite EVO.

    3. A Estrutura (Altura)
    Napolitana: Costuma ser um meio‑termo, não muito alta, feita para ser comida quente e com queijo puxando.
    Lucana: É mais alta e robusta, quase uma focaccia temperada. Era assada em fornos a lenha logo após o pão, aproveitando o calor residual (mais suave), por isso precisava ter uma estrutura capaz de aguentar um cozimento mais longo sem ressecar.

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